sábado, 28 de janeiro de 2012

Mensagem, de Fernando Pessoa, dita integralmente

Foi dia 25, no Porto.

Consideremos isto o ínício pois o projecto de dizer Pessoa (já não em leitura, mas em recitação) posso dizer que começou agora, e finalmente. Depois de um período grande de aquecimento, com incursões em Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e também Ricardo Reis, por exemplo.

Este período foi de estudo, de mim e de Fernando Pessoa.
Foi um grande período de pensar em porque pegar neste poeta e não em outros (como bons amigos me sugerem Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha ou Cesário Verde): a verdade é que Pessoa é para mim o supremo simulador.
E, ainda que outra poesia me atraia, trabalhar a poesia pessoana é estar num turbilhão da fantasia de ser outro. É estar no centro do furacão, no epicentro da inventividade e a cada passo descobrir como um artista pode ser Maior.

Comecei com a "Mensagem" esta nova fase por ser o livro acabado, por ser misteriosa, por ser também um ponto de apoio onde conhecer e comparar (eu e os outros) as variadissimas escritas e dimensões de Pessoa.

A "Mensagem" deu-me também o empurrão que procura dar a um Portugal que não sei se existe, entre o mítico e o daquele início do século XX. Esse poema em vários poemas deu-me significados que me empurram e me explicam o percurso de um artista consigo próprio.
Seja esse ou não o mais aproximado significado da "Mensagem" tem sido esse o significado para mim.

Segue o texto que escrevi para a apresentação

Mensagem, de Fernando Pessoa



Dito integralmente por Nuno Meireles


As palavras deste poema, publicadas em 1934, ainda fazem sentido e farão especial sentido agora, para nós. Porque entre muitas coisas são uma revisão (poética) e uma exortação (igualmente poética). Uma revisão do que fizemos e de como aqui chegámos e uma exortação a que façamos mais, sejamos mais, e no tempo em que vivemos. Seja conquistar o Mar, seja conquistar quem somos.

Este monólogo é também devedor do que diz o poema, pois, com a sua complexidade, os seus múltiplos ângulos e discursos, Mensagem é um Mar a dominar, é um texto intrincado de significados, de símbolos, de reviravoltas de síntaxe, de semântica, de descrições, de pessoas que falam, de orações, de magia e sobretudo de uma quase melancolia (talvez do nosso tempo, já não a grandiloquencia nem o grande orgulho nacional) de alguém que fala, só.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

leitura encenada de "Uma Carta a Cassandra" de Pedro Eiras 17 Fev 22h Gato Vadio



Uma Carta a Cassandra
de Pedro Eiras

Leitura encenada

por Cláudia Marisa Oliveira e Nuno Meireles

seguida de conversa com o autor


Uma carta de um soldado (americano, português?) que está numa base (iraquiana?, no deserto?) à sua namorada Vera (que tudo percebe)


José escreve uma carta a Vera

José

"Estou com remorsos de te escrever uma carta tão triste. Quando peguei na esferográfica, pensei que te ia mandar boas notícias. Mas as cartas têm uma forças estranha, desobedecem à nossa vontade e dizem o que lhes apetece."

Vera

"A tua carta desobedeceu à tua vontade, José, e disse o que lhe apetece. Que disse a tua carta, José, contra a tua vontade?"

quinta-feira, 17 de Fevereiro, 2011 - 22h

entrada livre



Gato Vadio, Rua do Rosário, 281, Porto