sábado, 21 de março de 2009
21 de Março
segunda-feira, 2 de março de 2009
Jorge Luís Borges, no Progresso, com a Poetria

No próximo dia 5 de Março 2009, pelas 21,30h, no Café Progresso, a Poetria realiza uma sessão de poesia dedicada a Jorge Luís Borges, autor sublime e ilustre descendente de transmontanos.
O tema será: "Amor em tempo de crise". Todo o universo literário de Borges, carregado dos símbolos de vida e morte que povoam a sua obra e o TANGO ARGENTINO dançado com paixão e drama por um par de bailarinos inesquecível: Inês Tabajara e Fernando Leal.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
sessões passadas: Alexandre O´Neill, na Gato Vadio

Das sessões fica geralmente o pó ou o eco das palavras, às vezes fotografias ou gravações, desta ficou este desenho, de Marita Ferreira, tirado do blog da proponente e uma das recitadoras (a do meio, no desenho).
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Opiário + Tabacaria & 3 sonetos & Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro de Álvaro de Campos - Sábado 22.45 - Contagiarte

Álvaro de Campos
Alberto Caeiro está aqui como o acontecimento-fronteira da biografia de Campos - pois conheceram-se logo após essa viagem ao Oriente em que foi escrito “Opiário”, e os sonetos antes disto - ou seja, muito antes de Campos ser o homem lúcido capaz de escrever “Tabacaria”.
Desenho de Luz: Rui Oliveira e Nuno Meireles
Operação de Luz/Som: Rui Oliveira
Música: Piotr Ilitch Tchaikovski/Serguei Rakhmaninov
Duração aproximada: 55`
* Grafismo do cartaz de Paulo Gomes sobre motivo (Pessoa) de Ana Teresa Fernandes
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Descida ao poço - Gisberta Salce
Descida ao poço
Sessão de Poesia
Leitura de " Indulgência Plenária", de Alberto Pimenta
Por Nuno Meireles
Domingo, dia 22 de Fevereiro, às 18h
Gato Vadio
(…)
tira-me daqui
tira-me daqui
tira-me daqui não sei se foste tu que disseste
não mexeste os lábios
nem sei se poderás continuar
as tuas trocas os teus desejos
entre os habitantes dos mundos invisíveis
se assim for
nem o Diabo impedirá
que o teu aroma nostálgico
continue a manifestar
a deusa
em todas as suas faces
humanas
(…)
Alberto Pimenta
Indulgência Plenária, Lisboa, &etc, 2007
esta cidade está moribunda
não foram sete hienas tresmalhadas
no clamor da avenida
ninguém pediu pela mulher que engana a carne
por um dia de canto
ouvem-se risos e os cafés estão cheios
gente soçobrada que não pára de beber o galão
de invectivar a tristeza
ou o azedume em fila de espera
na paragem do autocarro, a mulher das varizes
o homem do escarro,
o moço das Belas Artes
as mãos nos bolsos remoem pedras, paus e beatas
as mesmas pedras
os mesmos paus
as mesmas beatas
e o cheiro a kispo molhado não encobre a frialdade
nem a nortada
o pestilento riso da cidade
Júlio do Carmo Gomes
Nota: Gisberta Salce foi encontrada sem vida no dia 22 de Fevereiro de 2006 num prédio abandonado da cidade do Porto. Foi maltratada, humilhada, violentada até à morte. Alberto Pimenta escreveu "Indulgência Plenária" tendo presente Gisberta, a sua vida, a sua liberdade, a sua morte. A leitura integral do livro tem o consentimento do autor.
Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Poesia in Progress - Poesia Grega 5º feira 29/1 às 21.30
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Fernando Pessoa e a Polémica
Há um ponto especial nisto tudo que parece opor simbolicamente os vários signatários: os investigadores em causa são-no e são estrangeiros e os familiares de Pessoa são-no e não são investigadores.
Setenta anos passaram da morte de Pessoa e desse espólio bibliográfico, entre manuscritos, dactiloscritos, mistos - corrigidos ou não - marginálias, traduções, cartas, originais e tudo o mais, em setenta anos, terão sido desviados, incertamente catalogados, duvidosamente atribuídos, ambiguamente copiados e também ambiguamente editados, vendidos, leiloados, coleccionados uma quantidade que não podemos agora nem nunca poderemos prever.
E nisto tudo Pessoa é uma construção. É uma construção de João Gaspar Simões, de José Régio, de Adolfo Casais Monteiro. Ou seja da Presença e depois da Ática. E depois de toda a gente. É uma construção até por parte da figura de bronze da Brasileira. Ou do desenho de Almada. E Pessoa foi sempre estes pedacinhos, e sempre nada. Foi sempre esta bagunça de papeis, este corropio de colecção. Foi sempre estas lutas de recolha, de leitura, estudo e edição.
É preocupante não se ter os papeis todos? É.
É preocupante não haver catalogação exaustiva de tudo, das suas leituras aos textos, seja em que suporte for? É.
Mas é outra coisa também, igualmente supersticiosa: nos braços e pernas e corações e cabeças dos familiares de Pessoa corre-lhes o seu sangue, e isso é coisa mágica que os não iguala a ninguém; e também é verdade que nos é simbolicamente humilhante que sejam investigadores estrangeiros a estudar, a editar, a compilar, a ler e a decifrar a caligrafia de Pessoa.
Isso, mais que os leilões, mais que Jorge de Sena a subtrair o original da "Ceifeira", mais que o possessivo Gaspar Simões, mais que os erros de leitura da Ática, mais ainda que a ameaça de dez anos de processo judicial da Assírio à Relógio D´Água por causa da publicação de Teresa Sobral Cunha do "Livro do Desassossego", mais do que tudo, isso é que nos rouba.
