segunda-feira, 2 de março de 2009

Jorge Luís Borges, no Progresso, com a Poetria



No próximo dia 5 de Março 2009, pelas 21,30h, no Café Progresso, a Poetria realiza uma sessão de poesia dedicada a Jorge Luís Borges, autor sublime e ilustre descendente de transmontanos.

O tema será: "Amor em tempo de crise". Todo o universo literário de Borges, carregado dos símbolos de vida e morte que povoam a sua obra e o TANGO ARGENTINO dançado com paixão e drama por um par de bailarinos inesquecível: Inês Tabajara e Fernando Leal.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

sessões passadas: Alexandre O´Neill, na Gato Vadio


Das sessões fica geralmente o pó ou o eco das palavras, às vezes fotografias ou gravações, desta ficou este desenho, de Marita Ferreira, tirado do blog da proponente e uma das recitadoras (a do meio, no desenho).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Opiário + Tabacaria & 3 sonetos & Notas para a Recordação do meu Mestre Caeiro de Álvaro de Campos - Sábado 22.45 - Contagiarte

“Logo que conheci Caeiro, verifiquei-me.”

Álvaro de Campos

Alberto Caeiro está aqui como o acontecimento-fronteira da biografia de Campos - pois conheceram-se logo após essa viagem ao Oriente em que foi escrito “Opiário”, e os sonetos antes disto - ou seja, muito antes de Campos ser o homem lúcido capaz de escrever “Tabacaria”.

Campos havia de considerar mestre a Caeiro a tal ponto que sobre ele escreveria as "Notas" para que todos soubessem que homem fulcral este tinha sido.

Esta é uma circunscrição desse homem que aí está – Campos – em torno do seu mestre que não está – Caeiro – e sempre na presença do homem em que tudo se deu – Pessoa.

Este é também o momento em que os poemas de Fernando Pessoa, dramáticos por excelência, se tornam o teatro que são.

Encenação/Interpretação: Nuno Meireles

Desenho de Luz: Rui Oliveira e Nuno Meireles

Operação de Luz/Som: Rui Oliveira

Música: Piotr Ilitch Tchaikovski/Serguei Rakhmaninov

Duração aproximada: 55`


* Grafismo do cartaz de Paulo Gomes sobre motivo (Pessoa) de Ana Teresa Fernandes

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Descida ao poço - Gisberta Salce

Descida ao poço

Sessão de Poesia

Leitura de " Indulgência Plenária", de Alberto Pimenta

Por Nuno Meireles

Domingo, dia 22 de Fevereiro, às 18h

Gato Vadio

(…)

tira-me daqui
tira-me daqui
tira-me daqui não sei se foste tu que disseste
não mexeste os lábios

nem sei se poderás continuar
as tuas trocas os teus desejos
entre os habitantes dos mundos invisíveis

se assim for
nem o Diabo impedirá
que o teu aroma nostálgico
continue a manifestar
a deusa
em todas as suas faces
humanas

(…)

Alberto Pimenta
Indulgência Plenária, Lisboa, &etc, 2007


esta cidade está moribunda

não foram sete hienas tresmalhadas

no clamor da avenida

ninguém pediu pela mulher que engana a carne

por um dia de canto

ouvem-se risos e os cafés estão cheios

gente soçobrada que não pára de beber o galão

de invectivar a tristeza

ou o azedume em fila de espera

na paragem do autocarro, a mulher das varizes

o homem do escarro,

o moço das Belas Artes

as mãos nos bolsos remoem pedras, paus e beatas

as mesmas pedras

os mesmos paus

as mesmas beatas

e o cheiro a kispo molhado não encobre a frialdade

nem a nortada

o pestilento riso da cidade

Júlio do Carmo Gomes

Nota: Gisberta Salce foi encontrada sem vida no dia 22 de Fevereiro de 2006 num prédio abandonado da cidade do Porto. Foi maltratada, humilhada, violentada até à morte. Alberto Pimenta escreveu "Indulgência Plenária" tendo presente Gisberta, a sua vida, a sua liberdade, a sua morte. A leitura integral do livro tem o consentimento do autor.


Rua do rosário, 281 – Porto
telefone: 22 2026016
email: gatovadio.livraria@gmail.com

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Fernando Pessoa e a Polémica

Tem circulado na internet certa quantidade de cartas polemizantes em torno de Pessoa: dos familiares a propósito dos investigadores, dos investigadores a propósito dos familiares, da directora da Casa Fernando Pessoa a propósito dos dois e etc.

Há um ponto especial nisto tudo que parece opor simbolicamente os vários signatários: os investigadores em causa são-no e são estrangeiros e os familiares de Pessoa são-no e não são investigadores.

Setenta anos passaram da morte de Pessoa e desse espólio bibliográfico, entre manuscritos, dactiloscritos, mistos - corrigidos ou não - marginálias, traduções, cartas, originais e tudo o mais, em setenta anos, terão sido desviados, incertamente catalogados, duvidosamente atribuídos, ambiguamente copiados e também ambiguamente editados, vendidos, leiloados, coleccionados uma quantidade que não podemos agora nem nunca poderemos prever.

E nisto tudo Pessoa é uma construção. É uma construção de João Gaspar Simões, de José Régio, de Adolfo Casais Monteiro. Ou seja da Presença e depois da Ática. E depois de toda a gente. É uma construção até por parte da figura de bronze da Brasileira. Ou do desenho de Almada. E Pessoa foi sempre estes pedacinhos, e sempre nada. Foi sempre esta bagunça de papeis, este corropio de colecção. Foi sempre estas lutas de recolha, de leitura, estudo e edição.

É preocupante não se ter os papeis todos? É.
É preocupante não haver catalogação exaustiva de tudo, das suas leituras aos textos, seja em que suporte for? É.

Mas é outra coisa também, igualmente supersticiosa: nos braços e pernas e corações e cabeças dos familiares de Pessoa corre-lhes o seu sangue, e isso é coisa mágica que os não iguala a ninguém; e também é verdade que nos é simbolicamente humilhante que sejam investigadores estrangeiros a estudar, a editar, a compilar, a ler e a decifrar a caligrafia de Pessoa.

Isso, mais que os leilões, mais que Jorge de Sena a subtrair o original da "Ceifeira", mais que o possessivo Gaspar Simões, mais que os erros de leitura da Ática, mais ainda que a ameaça de dez anos de processo judicial da Assírio à Relógio D´Água por causa da publicação de Teresa Sobral Cunha do "Livro do Desassossego", mais do que tudo, isso é que nos rouba.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Tabacaria" faz hoje anos

Faz hoje oitenta e um anos da data assinada por Álvaro de Campos no seu magno poema (15 de Janeiro de 1928).

Para quem o queira visitar, ao poema (e ao próprio Álvaro de Campos, de certa maneira), ele está aqui. Aproveitem e façam uma visita ao resto do site e de como Fernando Pessoa pode ser o que é, ou seja, mais que um homem, uma força enaltecedora dos talentos de múltiplos Pessoanos. Nós todos, à nossa maneira, também heterónimos.

De resto, um abraço ao senhor engenheiro, tratado tão carinhosamente por Teresa Rita Lopes, de

Álvaro